quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

O texto diz tudo...

"Vocês sabem o que significa “Atibaia”? Há controvérsias, mas algumas das versões dadas pelos tupinólogos são “morro dependurado” (Tipai), “água revolta ou confusa” (Tibaya), “água ruim poluída” (Tibaia).

Foi lá que o Vasco foi buscar “inspiração” para disputar a temporada. Entende-se...

O Vasco não é pensado como time grande. Tudo é feito com medo, com cautela, com recuo, sem ousadia. É um time de retranca mental: “pensa pra trás”. Contrata mal, insiste em repatriar páginas amareladas de seu passado. Gaba-se de quitar contas, mas não quita a fatura dos resultados em campo.

Não temos estratégia de futebol, temos somente estratégias administrativas. Mas alguém precisa gritar na porta de São Januário – como eu grito nesta coluna – que o Vasco não é o IBMEC para comemorar grandes economistas… precisamos é de gols, jogadores, títulos!

Quando pensa em se reforçar, Vasco não tem uma janela para o futuro. Eles não usam o Google, usam o Arquivo Nacional ou o acervo da Rádio Nacional! Por que só pensam em reforços cansados, antigos? Por que insistem em lavar a roupa suja com a espuma do sabão usado?

Não quero "de volta" o Vasco de Adão, Fausto, Heleno, Friaça, Ademir, Bellini, Ipojucan, Roberto, Romário, Edmundo, Valdir, Bismarck, Mauro Galvão... não, não quero o Vasco do passado, reforçado com pó de nostalgia! Chega dessa paranóia de reencarnação! O Vasco do passado passou, seus mestres deram a lição e também passaram. O Vasco sempre foi Vasco porque superou a história, transcendeu o momento, inovou, ousou, aguerriu-se e se fez grande! Assim lutou contra a exclusão, contra a expulsão, contra a discriminação. O Vasco sempre soube meter a cara na rua, embainhar a espada pra luta, gerar filhos do ventre de sua cruz-de-malta mãe! Por que esse medo agora? Por que essa aposta em quem já foi e não é mais?

Chega desse medo de não saber construir um Vasco novo... eu quero um Vasco de agora... com Alex Teixeira, Philippe Coutinho, Jonathan, Dedé, Marlone, Cestaro, Foguete, Índio...quero ver gente nova mostrando valor! Gente nova escrevendo seu nome no clube! Não me interessa o juízo sobre os nomes novos que eu citei... se são bons ou maus... eles são metáfora do novo, símbolo da nova geração de vascaínos que tem que nascer vitoriosa, aguerrida, honrando o que foi construído no passado. Mesclem a eles os heróis de verdade, não essa gente cansada que anda por aí. A referência ruim produz uma descendência doente: não se pode mais errar em más referências.

Cansamos dessa penca de reforços ultrapassados, dos “ídolos de série B”... hoje o "reforço" anunciado foi o Élton. Com todo respeito ao atleta e aos congêneres... isso é reforço de quê? Saudosismo do "artilheiro da Série B"? É assim que o Vasco modela seus novos heróis? Alardeiam esses nomes como reforços e ídolos, mas o Vasco não tem ídolos recentes coisa nenhuma!

E os antigos que aí estão, reciclados... para que servem?

O Felipe nunca foi nada disso que se pensou e agora está pior: voltou gasto dos Emirados e é veterano cansado aos 32 anos! Lá ele ganhava petrodólares dando ovinho para sheik ver... alguém acredita que ele vai querer suar a camisa jogando bola aqui? Vejam os passes, as jogadas... ele quer que os outros corram por si e por ele, é o maior vampiro da história recente dos times do Vasco! Tem uma pose de que só ele sabe jogar, e que os outros têm mais é que correr, já que não sabem jogar como ele. A arrogância daquela declaração de que se a torcida quisesse mudar alguma coisa ele poderia ser o primeiro a sair foi uma prova da impáfia: como se ele fosse imprescindível, como se todos nós estivéssemos desesperados com a perda dele... “olha só, calem a boca porque senão o primeiro a sair sou eu”! Nenhum diretor chamou a atenção dele por isso? Ele disse isso no afã da emoção... e se retratou depois? Que bagunça é essa? Que gente é essa que se acha maior do que a camisa que veste? Que clube ele pensa que está representando, perdendo para time pequeno e querendo arrotar um “cala-a-boca” para as arquibancadas?

Que desaforo é esse com o Vasco? Será que é ranço dos tempos em que ele vestia a camisa do Flamengo?

Horrível isso!

O Carlos Alberto é um craque que desistiu de jogar bola: ganhou o mundo cedo e desistiu dele mais cedo ainda! Um aposentado em atividade. Tudo bem, direito de escolha. Deve ter as razões dele para dormir na enfermaria, sair de campo antes dos jogos acabarem, pedir liberação para resolver “problemas familiares” e reaparecer para amistoso festivo dois dias depois... ele deve ter suas razões para não ser mais atleta de futebol, apenas “showman”! Não vai mais jogar bola, não adianta insistir! Mas o Vasco precisa perceber isso e desistir de promovê-lo como ídolo e líder do time. Não serve mais! Obrigado pela Série B, tchau e bênção! O Juninho fez história na Libertadores, mas também jogou as três finais em que fomos vice pro pior adversário. Além disso, negou-se a voltar pro Vasco da Série B como herói, alegando que “o Rio é perigoso”. Logo ele, que veio de Recife, onde tubarão ataca na beira do mar... o cara sabe o que é perigo... tá certo, deixa ir... não insiste... não traz de volta!

Cadê o Diego, ex-Santos? Cadê o Grafite? Cadê os craques recentes? Cadê as pratas da casa? Cadê o sangue argentino, chileno, uruguaio... alguma força latina correndo nas veias desse time tão ressecado e chocho?

Nossa pré-temporada foi uma vergonha…voltamos de Atibaia com medo de crianças de Nova Iguaçu! Que time é esse? Que Vasco é esse? Choramingando reforços não inscritos pra justificar derrota pra time pequeno…e não inscreveu antes por quê? Antes da sexta e do feriado, tinha a quarta, tinha a terça, tinha a segunda... por que demoraram tanto e ainda usaram isso como desculpa depois?

O PC vai demorar no comando como demorou o Lopes, até afundar mais o Vasco, porque essa diretoria só acredita na morte quando o paciente já agoniza… ela não sabe fazer gestão prévia de risco!

Escrevi uma coluna aqui no Supervasco em 28/10/2010 chamada “Descontruindo PC Gusmão”. Lá eu apontava algo estranho na queda de produção do Vasco, como se o elenco não quisesse mais a sua liderança. Está tudo lá: http://www.supervasco.com/colunas/desconstruindo-pc-gusmao-1878.html. Não é possível que a diretoria do Vasco - que está em campo, no vestiário e na concentração todo dia – não tenha percebido o que eu, do meu escritório ou da minha casa, percebia tão claramente. Pois não é que mantiveram os dois – o mesmo elenco e o mesmo treinador – para a temporada seguinte? “Vamos dar tempo ao tempo”. Odeio quando essa frase é uma falácia para disfarçar a lerdeza, a burrice e a omissão. Deu no que deu: um bando em campo!

Se tem alguém por aí satisfeito com isso, se tem alguém elogiando para não perder a pose de que apóia a situação, se tem alguém comemorando essa ruína para se consolidar como oposição... só lamento profundamente que a sanha politiqueira seja maior do que o amor ao Vasco! Só lamento!

Não sou militante partidário. Como diria Cazuza, “meu partido é um coração partido”. Sou torcedor e analista leigo desse jogo estranho e fascinante que é o futebol. O que melhor percebo nas quatro linhas são a poesia, o encanto, a paixão.

Ou a ausência de tudo isso.

Que, a meu ver, é exatamente o que se vê (ou não se vê) nesse Vasco que anda por aí fingindo ser um Vasco de verdade.

Tenta, mas não convence. Parece, mas não é."

*Retirado do Supervasco.com.br
**Administração é assim: ninguém planeja pra errar. Ninguém.
Planejou e errou? Mude, não insista no(s) erro(s).
***Depois não sei porque fico tanto tempo sem escrever...